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02 julho 2018

Resenha | Zeide, de Caco Ciocler

Título: Zeide
Subtítulo: A travessia de um judeu entre nações e gerações
Autor: Caco Ciocler
Editora: Planeta
Gênero: Ficção
Páginas: 256
Ano: 2017
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Em 1921, na Alemanha, o jovem Sucher embarca num navio ancorado em Hamburgo rumo ao Brasil. Deixa para trás os pais e as irmãs, levando na bagagem algumas poucas peças de roupa, um tapete enrolado e as memórias dos campos de fumo da gelada Bessarábia. Ao desembarcar na desconhecida cidade de Santos, “de céu pintado de laranja feito quadro encomendado” numa tórrida tarde de verão, ele se curva – sem saber se arrebatado pelo bafo quente que lhe afrontava as origens ou se por reverência à terra que lhe traria a mulher com a qual fincaria raízes definitivas no Brasil. Desse encontro nascem os filhos Bóris e Jackson, que dão a Sucher uns tantos netos. É pelo olhar do mais novo de todos, da infância até a vida adulta, que se costura a narrativa não linear deste romance, que conduz o leitor por uma jornada de mais de sete décadas.Em sua estreia como ficcionista, o ator e diretor Caco Ciocler faz um relato bem-humorado e emocionante sobre a trajetória de uma família judaica no Brasil, além de uma declaração de amor ao avô.



Duas coisas me despertaram para essa leitura e a primeira é a premissa. Histórias de travessias e imigrações sempre me chamam atenção. A segunda é o fato de ser a estreia de Caco Ciocler como escritor, pois já admiro o trabalho dele como ator na televisão. Aqui ele faz uma declaração de amor ao avô ao contar a história de um jovem judeu, Sucher, que deixa toda sua família na Alemanha e parte em um navio para um novo continente. Chegando ao Brasil, ele finca raízes e constrói uma família. 

Segundo uma nota do autor ao final do livro, muitas coisas são reais e outras fictícias - imagino que a maioria sejam fictícias, já que o livro é classificado como ficção. A narrativa segue com memórias fragmentadas entre as gerações. Ciocler tem uma escrita simples e de fácil entendimento. Porém, algo me incomodou muito durante a leitura. Os capítulos se alternam entre passado e um presente onde o neto mais novo de Sucher conta suas experiências infantis com o avô e com a família. Mas os capítulos não indicam em qual tempo da narrativa estamos e isso foi bem confuso, especialmente no início do livro. Demorei para me situar na história por conta disso. Essa é a única ressalva que tenho sobre o livro.


O que mais gostei no livro foi acompanhar todos os personagens entre as gerações. Todos os valores familiares, os desentendimentos, as influências de uma família judaica nos bairros de Santos e São Paulo e as conquistas importantes que eles fizeram. Tudo isso nos faz pensar em nossas famílias e como todas elas são de verdade: cheias de altos e baixos, com momentos felizes e outros tão tristes que nos marcam para a vida toda. Mesmo sabendo que muita coisa é fictícia, o clima é de total nostalgia ao imaginarmos que aqueles foram os momentos vividos pelos familiares de Ciocler. Especialmente na narrativa do neto e sua relação de amor com seu zeide (que significa avô) - que, por sua vez, foi um pai bastante duro com seus filhos. 

O livro tem momentos dramáticos e outros divertidos. Confesso que meus olhos encheram de lágrimas no desfecho, por uma certa sensação de arrependimento desse neto e por aquele sentimento tão forte que temos por nossas famílias. E ao meu ver esse livro é principalmente sobre isso. Sobre as histórias construídas por nossos antepassados e sobre as histórias que nós mesmos iremos construir para nossos descendentes, - possuindo o amor (ou não) como a maior herança. Vale muito a pena a leitura. 

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