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22 julho 2018

Resenha | Canção de ninar, de Leïla Slimani

Título: Canção de ninar
Autora: Leïla Slimani
Editora: Tusquets Editores (Editora Planeta)
Gênero: Ficção/Suspense
Páginas: 192
Ano: 2018
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de Ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de Ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.


Canção de ninar é um best-seller escrito pela franco-marroquina Leïla Slimani e vencedor do Prêmio Goncourt em 2016. A trama gira em torno de um casal, Myriam e Paul, que possuem dois filhos pequenos e estão a procura de uma babá de confiança. Entre tantas buscas, eis que surge Louise, cheia de qualidades, discreta e visivelmente dedicada às crianças. Louise conquista a família rapidamente com todo seu empenho, até que eles não se imaginam mais sem a presença da babá em sua casa. Porém, gradualmente as coisas começam a mudar e a relação confortável que tinham com Louise dá lugar à desconfianças e frustrações. Uma série de acontecimentos que acabam em uma tragédia.


Mesmo super interessada na leitura, primeiramente imaginei que poderia se tratar de mais um suspense clichê. Um casal que tem extrema confiança em uma babá e acabam sofrendo as consequências de uma tragédia. Porém, devo admitir que o livro me impressionou imensamente. A história vai além de um suspense instigante, pois a autora nos transporta para o íntimo dos personagens e traz uma série de reflexões e críticas sociais.

Com uma narrativa totalmente fluída, a autora já inicia o livro com a tragédia que daria um desfecho a história. O que se sente durante a leitura é que não temos um começo, meio e fim. O que possivelmente possa desagradar alguns leitores, foi me conquistando conforme avançava as páginas. Depois de ler sobre a tragédia, pintamos a imagem de uma babá psicopata, obviamente. Mas a verdade é que aqui não existe pessoas boas e pessoas más. Todos são bons e todos são maus. Myriam, a mãe, anseia tanto retornar ao convívio social e ao reconhecimento profissional, que a criação dos filhos começa a ser um peso. Paul, o pai, acha que é obrigação de sua esposa cuidar da casa e dos filhos, enquanto ele constrói sua carreira. E Louise, a nossa babá, tem um passado que não foi nada fácil e um presente que a atormenta. Analisando tudo isso com os detalhes da narrativa e o comportamento dos personagens após a contratação da babá, ficamos em dúvida se escolhemos um lado, e apesar da figura super bizarra que é Louise, o seu comportamento obsessivo-compulsivo, acabamos até sentindo certa compaixão dela. Ela só queria conviver, pertencer (o que não justifica nada, claro). 

Essa complexidade existente na relação dos personagens traz muitas questões sociais. A principal é a falta de atenção à família, consequência da devoção exagerada ao trabalho, de uma busca por reconhecimento profissional que na maioria das vezes não chega, e por status social. Além disso, existe também uma crítica importante quanto a obrigação de cuidar da casa e filhos ser apenas da esposa e também a questão do preconceito com imigrantes. 

Acreditem, existe toda uma complexidade em apenas 192 páginas. O que fica é uma reflexão: vale mesmo a pena diminuir a atenção à sua família em troca de status social ou reconhecimento profissional? Canção de ninar é o suspense mais humano que já li. 

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Um comentário:

  1. Confesso que julguei o livro pela capa e me dei mal haha
    Eu ameei toda a premissa, adoro Thriller psicológicos e achei bem legal a autora retratar essa dependência que os pais acabam criando com a babá.
    Já quero saber qual a tragédia e os segredos que Louise esconde.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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