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06 setembro 2017

Resenha | A casa das sete mulheres

Título: A casa das sete mulheres
Autora: Leticia Wierzchowski
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Romance/História
Páginas: 462
Ano: 2017
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres.



Há uns dez anos quando li A casa das sete mulheres fui inundada por uma enxurrada de emoções, e o livro se tornou um dos meus preferidos. Relê-lo depois de tantos anos só me confirmou que Leticia Wierzchowski é uma das autoras brasileiras mais talentosas da nossa literatura. E que bom poder reler e reencontrar essas sete mulheres que "viveram a História, e seu gosto amargo, no fim."

O pano de fundo é a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, a guerra mais longa do continente. Entre 1835 a 1845, latifundiários rio-grandenses lutaram contra as forças do Império. A obra em questão não retrata exclusivamente a História complexa desse período, mas narra dolorosamente o isolamento de sete mulheres em uma estância afastada dos conflitos da guerra. Bento Gonçalves da Silva, o líder da Revolução leva as mulheres de sua família para que fiquem protegidas na estância. Protegidas de uma guerra física, mas não da guerra interna dentro delas travada todos os dias na solidão daquelas paredes. A espera de uma notícia, um simples bilhete... A guerra parece nunca ter fim e a vida de cada uma delas irá se transformar inevitavelmente.

"Longos anos estéreis, gastos na contemplação das alegrias alheias, enquanto a beleza que um dia tive esvaía-se, mutando-se em gastura, em flacidez e em rugas. Envelheci esperando Giuseppe. E ele nunca veio." (p. 430)

Usando de uma narrativa ora em terceira pessoa ora pelos olhos de Manuela, a sobrinha de Bento Gonçalves, Wierzchowski nos trasporta rapidamente para o universo daquele período. A escrita da autora nos choca, envolve e arrepia. Mesmo misturando um pouco de ficção, é doloroso acompanhar tudo que aquelas mulheres passaram de fato naquela estância, aguardando seus homens, filhos, primos, irmãos, maridos, que poderiam não voltar, nunca mais!

Caetana tomada de angústia aguardando uma carta do marido e líder da revolução, D. Ana sofrendo a primeira perda cruel daquela guerra, Maria Manuela também com suas perdas e o destino das filhas, Rosário e seu namorado fantasma, Pérpetua, Mariana, Manuela... Ambas com seus amores quase impossíveis, poucos com finais felizes. O isolamento daquela estância, as más notícias que chegavam transformaram tanto suas vidas, que é quase possível sentir nos lábios o sabor daquela guerra para elas. E a autora narra tudo de uma maneira real, quase palpável. É penoso acompanhar principalmente a narrativa dos cadernos de Manuela, que narra as aflições da guerra e seu amor imensurável pelo italiano Giuseppe Garibaldi, um personagem histórico muito importante para a revolução.

Além do drama e do romance, temos obviamente o rumo que a revolução estava tomando ao longo dos anos, bem como parte das principais batalhas sendo contadas, já que tudo que acontecia na revolução, sejam as vitórias ou derrotas dos farroupilhas, atingiam diretamente a vida das sete mulheres na estância. Muitos trechos da História nos leva a certa reflexão, sobre as tantas guerras que já existiram em nossa terra, muitas delas em busca de um ideal, de um sonho de liberdade. Porém, a custo de tantas perdas, tanto sangue e, inevitavelmente, ao sofrimento eterno das mulheres, a quem só restavam a espera. 

A casa das sete mulheres possui uma narrativa muito forte e real. Aqui não temos somente um trecho dramático do passado do Brasil, mas toda a violência de uma guerra e suas transformações perversas que mudam o destino de homens, mulheres e crianças. Wierzchowski nos traz o caráter conservador na educação das filhas dos estancieiros gaúchos no século XIX, romances dolorosos e muitas vezes platônicos, perdas inestimáveis, muita coragem, muita solidão e até o sobrenatural. Um romance trágico e belo, e uma visita inquietante pelo pampa gaúcho daquele século. 

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5 comentários:

  1. ainda não li este livro mas sempre tive muita vontade, amei saber que tem uma nova edição, essa capa está demais! e eu não conheço esta autora ainda, depois de tantos elogios vou procurar saber mais sobre ela e ver se encontro esta edição em promoção haha

    Beijos
    https://tamigarotaindecisa.blogspot.com.br/

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  2. Heiii, tudo bem?
    Também já li A Casa das Sete Mulheres e achei uma leitura bem densa.
    A historia é linda e triste ao mesmo tempo, o final foi tenso e me vi bem agoniada.
    Mas confesso que a leitura nao foi das mais faceis, mas tb recomendo.
    A capa está show.
    Beijos.

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  3. Oie!

    Eu ainda não li esse livro, mas fiquei bastante interessada em fazer a leitura, ainda mais depois de suas considerações e elogios a obra. Me recordo que vi a minissérie dessa obra na Rede Globo, e na época gostei bastante. A dica já foi para a listinha de desejados, espero ter a oportunidade de conferir em breve.

    Beijão!

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  4. Nossa esta história parece ser incrível e cheia de emoção. Imagina reviver através delas todas as coisas ruins que aconteciam naquela época, onde mulheres não tinham voz.

    Quero ler, a capa é linda

    Beijos

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  5. Olá!

    Lembro que minha mãe não perdia um capítulo na TV, mas só recentemente vim saber que se tratava de um livro. Infelizmente, quando li Sal, a leitura não foi boa, então dificilmente lerei esse, mas amei suas fotos.

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