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27 outubro 2016

Resenha | Esposas & Filhas: uma história cotidiana

Título: Esposas & Filhas: uma história cotidiana
Título original: Wives and Daughters
Autora: Elizabeth Gaskell
Editora: Pedrazul
Gênero: Romance histórico
Páginas: 536
Ano: 2016, originalmente terminado em 1866
Skoob

(cortesia da editora)

Sinopse: É o último romance escrito por Elizabeth Gaskell, em 1865, considerado sua obra-prima, narra o destino de duas famílias do século XIX na Inglaterra rural. Trata das relações familiares de pai, filha, madrasta, filhos, enteada e de seus envolvimentos românticos. A história gira em torno de Molly Gibson, filha única de um médico viúvo vivendo em uma cidade provincial inglesa em 1830. Tem início com Molly ainda criança em visita à casa do pai e a negligência da ex-governanta, Miss Clare, em relação a ela. Sete anos depois, Molly é uma atraente jovem bastante irreal que desperta o interesse de um dos aprendizes de seu pai, o Sr. Coxe. O afeto é descoberto pelo senhor Gibson que envia a jovem Molly para ficar com as Hamleys, de Hamley Hall, uma família da pequena nobreza. Lá, ela encontra uma substituta da mãe na senhora Hamley, que a trata como filha. Molly também se torna amiga do seu filho mais novo, Roger. O filho mais velho da família Hamleys, Osborne Hamley, um jovem bonito, inteligente e mais elegante do que seu irmão, é esperado para fazer um casamento brilhante após uma excelente carreira na Universidade de Cambridge. Porém, um grande segredo envolve Osborne. 


Como a sinopse já descreve muito bem a trama, vou partir para minha visão dessa obra linda, delicada e repleta de personagens marcantes. Como vemos no subtítulo é uma história cotidiana, onde a autora desenvolve a vida de duas famílias, em suas alegrias e tristezas.

Aqui temos uma obra narrada detalhadamente em terceira pessoa. A autora descreve sem pressa a rotina e acontecimentos entre os personagens, fazendo com que o leitor se sinta mais próximo de todos eles a cada virar de página. Gaskell tem uma escrita ótima e como se vê pelo número de páginas, não polpa em nos manter a par de todos os sentimentos e pensamentos de seus personagens.

Molly é uma das principais personagens e amei demais conhecê-la. Quanta bondade ela tem! Mesmo quando sua madrastra a tira do sério com tantas cobranças. Essa, por sua vez, é um poço de ambição e egoísmo, onde ela só pensa em si mesma. Cynthia, a meia-irmã de Molly, nunca conseguiu me convencer, apesar de não detestar essa personagem, mas achei ela um tanto egoísta também. Os Hamleys - Osborne, Roger e o fazendeiro - também foram muito bem desenvolvidos e trouxeram entusiasmo a obra.


Quanta pena senti de Molly com tantas coisas que aconteceram! Molly foi merecedora de muita felicidade, e temia que seu final feliz não chegasse. As páginas finais são as mais encantadoras, pela sutileza com que a autora narra um sentimento crescente de um dos personagens por Molly. Mas então vem a triste surpresa: Gaskell não pôde terminar a história, pois falecera antes. Temos uma nota do editor da revista em que os capítulos eram publicados, onde ele revela muito do que seria o desfecho que Gaskell escreveria, mas jamais com a mesma beleza. Fiquei feliz pelo final que Molly receberia, mas triste pelo que aconteceu a autora, que não pode concluir sua obra prima.

O livro não começa completamente interessante, mas a medida que vamos sendo envolvidos pelos personagens e os acontecimentos, só ficamos mais e mais curiosos para descobrir o desfecho. Foi engraçado como ainda me diverti. Nos séculos passados tudo era tão formal, que é uma delícia ver algumas intrigas e sarcasmos ditos tão civilizadamente. Impossível não ter empatia pela madrasta de Molly, mas também não tem como não se divertir com sua tamanha falta de modéstia e seu exagerado egocentrismo. Ninguém melhor que uma autora que viveu na mesma época, para trazer tantos detalhes característicos da beleza daquele século, bem como os desafios de se viver e comportar-se diante da sociedade.

"Molly poderia ter chorado com pesar apaixonado ao pensar no tesouro de valor inestimável aos pés de Cynthia e que teria sido um arrependimento meramente altruísta. Era a velha ternura fervorosa: 'Não me peça a lua, oh meu querido, porque não posso dar-te.' O amor de Cynthia era a lua que Roger desejava, e Molly viu que estava longe e fora de alcance, mas poderia ter usado os músculos do seu próprio coração para dar a Roger." (p. 294) 
Que lindo! 

Apenas não se engane, achando que se trata de um livro cheio de grandes reviravoltas e um romance meloso. Embora tenha certo mistério envolvendo alguns personagens e um amor puro sendo descrito singelamente, o enredo é focado em uma história cotidiana entre duas famílias. Esse livro é principalmente para os apreciadores de romances históricos, pois sutilmente e com incrível delicadeza, Gaskell terá a atenção dos amantes do gênero nessa obra prima tão bem escrita. Simplesmente amei a leitura!

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13 comentários:

  1. Já [e a segunda vez que vejo falar sobre esse livro.
    Sempre falam muito bem dele, mas é uma pena eu não curtir muito romances de época....
    Não consigo ler... A leitura não flui, sabe?!
    Mas mesmo assim, sua resenha ficou ótima!
    Fico feliz quando vejo que as pessoas curtiram o que leram!
    beijinho!

    #Ana

    LiteraKaos!

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  2. Olá
    Eu estou adorando ver as resenhas desse livro, ele não é bem meu tipo de livro, mas mesmo assim gosto de ver os clássicos sendo descobertos, essa era uma época de ouro onde obras saiam em revistas e jornais, deve ser uma leitura complexa, mas uma jóia para quem gosta de romance de época

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  3. Oi Letícia... essa é a primeira resenha que eu leio desse livro, não o conhecia. Adorei o seu ponto de vista e gosto muito de livro nesse estilo... Mesmo confessando que ao olhar a capa dele aparentemente pensei imediatamente em um romance bem meloso.
    Fiquei curiosa com a sua história e irei dar uma pesquisada a mais sobre ele e quem sabe lerei

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  4. Oi, Letícia!

    Já vi uma resenha em outro blog uma vez falando sobre esse livro e desde que li a tal resenha já o adicionei à minha lista. Sou apaixonada em romances de época, para mim são os mais bem elaborados nessa questão. Amei sua resenha tanto quanto amei a do outro blog, parabéns!

    Sucesso com o blog sempre!
    Beijos, Belle.
    floraliteraria.blogspot.com

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  5. Adoro histórias de época, amo mesmo. Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas está na minha lista de leitura, o que mais gosto nesses tipos de literatura é justamente o que você destacou, sarcasmos civilizados, ofensas subjetivas, aquele humor negro com leveza. Uma pena mesmo a autora não ter terminado a obra.
    Bjim!
    Tammy

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  6. Letícia, tudo bem?

    Tô in love por esse livro desde que foi lançado. Aqui na torcida pra Pedrazul lançar alguma promoção agora na BF. Amo os livros que a editora escolhe publicar.

    Amei sua resenha!

    beijo

    leitoras Inquietas

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  7. Olá.
    Eu não curti muito a capa, me faz lembrar daqueles livros do ensino médio que eramos obrigados a ler hahahha, mas achei interessante, pois o livro por se tratar de história do cotidiano entre as familias da época nos permite conhecer mais a cultura da época e muito mais. Não é um livro que eu pegaria para ler, mas depois da sua resenha acho que eu leria esse aos pouquinhos bemmmm lentamente.

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  8. Curti bastante esse livro, não conhecia... Tb adorei sua foto!
    Como fã de romances de época/históricos, achei a história bem interessante. É normal quando a leitura se inicia de vagar e aos poucos a trama vai nos prendendo, nos instigando a continuar.
    Bj

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  9. Não sei porque mas eu adoro livros que nos mostram o cotidiano de pessoas, histórias do dia dia,com pessoas reais,e como eu não curto muito ROMANCES de época,acho que esse livro seria uma ótima pedida para começar com o gênero histórico.

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  10. Oi Letícia, sua linda, tudo bem?
    Adoro romances históricos e épicos, são os meus favoritos. Que pena a autora ter falecido antes de concluir sua obra. Fiquei comovida pela personagem, pelo visto todos ao redor dela são egoístas e por isso ela irá sofrer muito. Não conhecia o livro, mas agora não vejo a hora de ler. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  11. Eu adorei sua resenha, me pareceu um livro ideal para dar de presente para algumas amigas que adoram o estilo (ainda mais por não ter ouvido falar muito dele, então a surpresa de dar um livro que elas não tenham pode acontecer).
    Embora muitas vezes as diferenças sejam sutis e muitos leitores confundem os dois estilos, eu prefiro romances de época e não romances históricos. É que eu curto aquela coisa toda melosa e água com açúcar onde o casal é fofo e fica junto no final.
    Pelo que li na resenha, embora tenha a sensação de que com certeza é uma leitura interessante, achei que o livro não é o meu estilo e que por isso não terei a mesma reação que você ao ler. Posso estar enganada, mas me parece que ele não iria me agradar, então prefiro passar a dica.
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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    Respostas
    1. Oi, Lica
      Normal haha
      Romances históricos possuem um toque diferente mesmo. O romance não é tão direto quanto nos romances de época. Se você gosta de um romance mais meloso mesmo, em que o foco é o casal apenas, os romances de época são melhores (apesar que muitos históricos são assim).
      Eu amo os dois, não consigo resistir haha

      Obrigada pela visita linda!

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  12. Realmente pensei que este livro fosse apenas um romance, mas saber que o foco principal do livro é o cotidiano entre duas familias me deixou animado para partir para a leitura. Só não gostei da capa, não achei digna do enredo.

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