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12 setembro 2016

14 livros para quem ama História


Livros são, com certeza, a janela da imaginação, e podem trazer viagens que vão além de personagens fictícios. Sou suspeita, pois adoro livros que falam de histórias reais e que marcaram uma época. Sempre gostei muito de História e livros, sejam eles com fatos fictícios mesclados ao verídico ou não, sempre me agradaram. Alguns podem trazer um (a) protagonista fictício, mas com um pano de fundo histórico, outros podem ser veementemente verídicos. Dessa maneira, não poderia deixar de indicar algumas obras que li e amei. Para quem ama História, essas são ótimas dicas. Garanto.



Clique no título do livro para ler a resenha completa.


Períodos históricos que marcaram o Brasil

Beije-me onde o sol não alcança traz uma história verídica de um triângulo amoroso entre um conde russo, uma baronesa do café e uma ex-escrava  no século XIX. Nicota era uma moça recatada e totalmente ingênua, neta de um barão afortunado. Maurice Haritoff, um russo que estava a procura de uma esposa para aumentar sua fortuna. E, finalmente, Regina Angelorum, uma ex-escrava que foi criada justamente por Nicota, após a morte de sua mãe. Com isso, diversos acontecimentos vão tomando forma, desde o casamento inicialmente feliz entre Nicota e Maurice, até a traição. Esse triângulo amoroso foi um escândalo nos Oitocentos do Brasil. A obra é uma viagem a Paris de Napoleão III e a sociedade do Rio de Janeiro, onde acompanhamos um período que o café era a maior riqueza, até o fim da escravidão, e com isso, a pobreza inevitável dos senhores de café. Adorei esse livro e recomendo.

1808 é resultado de anos de pesquisa do autor Laurentino Gomes. Foram dez anos de uma investigação minuciosa, para que o livro tivesse os detalhes mais verdadeiros possíveis. Conhecemos a trajetória de D. João VI até sua vinda ao Brasil, que na verdade foi uma fuga. Cercado por Napoleão e sua aliada, a Inglaterra, ele não teve outra escolha a não ser fugir para o Brasil, que até então era colônia de Portugal. Antes de se tornar Rei, ele era o príncipe regente de Portugal, pois o seu irmão, que era o herdeiro legítimo do trono, morreu muito jovem. Laurentino traz uma leitura pouco cansativa e com uma linguagem mais leve que a didática. Para quem gosta desse tipo de livro e de conhecer um pouco mais da história do Brasil, é uma leitura excelente!

A casa das sete mulheres, uma obra nacional de Leticia Wierzehowski, ficou famosa depois da minissérie da TV Globo, que foi inspirada no livro. A obra mescla realidade e ficção num romance que usa a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) como pano de fundo para descrever as aventuras de sete gaúchas da família do general Bento Gonçalves. A estrutura do livro segue os passos da revolução: dez anos de confrontos, dez capítulos. No romance, enfatiza-se o caráter conservador na educação das filhas dos estancieiros gaúchos no século XIX, assim como a pobreza e rotina de seu cotidiano. Na leitura conhecemos cada uma dessas sete mulheres, que esperam pela volta de seus homens, e choramos junto com elas quando um deles não volta, nunca mais.



Décadas de escravidão

12 anos de escravidão conta uma história verídica que tem início em 1841 em Whashington, em Nova York. A comovente história de Solomon Northup não poderia ter sido melhor contata, senão por ele mesmo. Tendo nascido um homem livre, ele fora sequestrado, sendo separado de sua esposa e filhos. Os acontecimentos após seu sequestro, deixam qualquer leitor perplexo com tamanha injustiça. Sendo enganado, drogado e jogado em uma cela, Solomon argumentou sua condição de homem livre, porém foi açoitado quase até a morte. Tendo em vista, o risco que correria, caso argumentasse qualquer coisa mesmo que fosse a mais pura verdade, Solomon manteve-se alerta e em silêncio, quanto a sua liberdade, a todos os seus senhores ao longo de 12 anos. Não tenho dúvidas, que as linhas escritas por Solomon, vão ficar gravadas na minha memória para sempre. Leiam, leiam, leiam!!

Uau! Que livro! O livro dos negros  conta a história de uma personagem fictícia, Aminata, que aos 11 anos vivia tranquilamente em sua pequena aldeia, Bayo, na África, até ser sequestrada e enviada a um navio negreiro. Até então Aminata somente conhecia os cuidados dos pais, sua comunidade e sua terra. Mas ao ser acorrentada e submetida as vontades dos toubabus - como eram chamados os homens brancos pelos negros - sua realidade mudara, e agora ela precisava amadurecer e ser forte para sobreviver. Ela fez a travessia rumo às Américas, onde foi vendida nos Estados Unidos. Sua trajetória foi marcada por muitas humilhações, mas ela não era uma africana comum. Dotada de uma grande inteligência, Aminata aprende a ler e escrever, e se virar como pode com aquilo que aprendeu com a mãe, amparar bebês. Mas afinal, o que é o Livro dos negros? Assim era chamado o único e maior documento, contendo os nomes e os detalhes de 3 mil homens, mulheres e crianças negras, que após servir às linhas britânicas seriam considerados livres e viajariam para colônias britânicas, a chamada "terra prometida". Mas nem tudo foi bem assim...



O terror do Talibã

Eu sou Malala é uma obra de uma história totalmente verídica de uma menina que comoveu o mundo. Malala morava com sua família no vale do Swat, no Paquistão. A vida antes do controle do Talibã no local era de paz e tranquilidade. Meninos e meninas iam à escola, as mulheres faziam suas compras normalmente no mercado, os comerciantes tinham sua situação financeira sobre controle e Malala era uma estudante aplicada e dedicada àquilo que mais amava, os livros. Com a chegada do temível Talibã, seu país parecia que havia enlouquecido e nada mais era como antes. Malala tivera uma criação que lhe permitiu inspirar-se em seu pai, Ziauddin, e ela não desistiria de lutar pela educação a que tinha todo direito. Ela participava, muitas vezes com seu pai, de diversas manifestações a favor de manter as escolas para meninas abertas, e com isso conquistou inimigos. Depois de diversas ameaças que pai e filha sofreram, Malala foi baleada em seu ônibus escolar. Sua sobrevivência foi milagrosa, e depois desse atentado, Malala comoveu de vez o mundo todo.

O caçador de pipas conta emocionalmente a história de Amir e Hassan, que cultivam uma amizade desde pequenos. Hassan é filho de Ali, grande amigo do baba de Amir, que trata Hassan como se fosse seu filho. O laço que os unia era muito forte. A vida dos dois mudaria no dia da velha tradição de inverno no Afeganistão e após a separação das famílias em consequência da influência do Talibã. 

A cidade do sol  tem como pano de fundo as leis rígidas do Regime Talibã e a opressão vivida pelas mulheres por seus maridos no Afeganistão. Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos.Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Mas as pessoas não controlam seus destinos.Quando o destino de Mariam e Laila se cruzam a história fica cada vez mais envolvente. As sensações vividas por elas são quase palpáveis. O sofrimento, na maioria das vezes silencioso traz uma emoção diferente ao livro. A guerra que parece nunca ter fim, assim como as agressões de Rashid. Duas mulheres que se encontram perdidas e completamente sós.



O passado nazista na Segunda Guerra Mundial 


Holocausto nunca mais possui muitos fatos históricos para quem quer entender mais das façanhas do nazismo na Segunda Guerra Mundial. Júlio Verne é judeu e um renomado professor de História, que começa a sofrer com inúmeros pesadelos que o remetem ao passado, onde ele presencia cenas cruéis e desumanas do holocausto. Inconformado, como tantos, ao período sanguinário que foi a Segunda Guerra Mundial, ele pensa estar beirando a loucura e, claro, sente-se culpado por não ter reagido diante de soldados nazistas em seu próprio sono. Sua vida estava para mudar quando Júlio recebe uma proposta: embarcar em uma máquina do tempo inédita e tentar mudar o rumo da história, especificamente, eliminar Hitler antes da Segunda Guerra Mundial e poupar a vida de 70 milhões de pessoas.

Max tem como foco os fatos históricos do programa "Lebensborn" iniciado por Himmler, o comandante supremo da temível SS. Max é o primeiro representante puro da raça ariana, um protótipo perfeito do programa "Lebensborn".Como Hitler espalhava sua mensagem pela Alemanha, acreditando que a sociedade deveria consistir em uma raça ariana pura após a Europa ter sido ocupada pelo Terceiro Reich, o programa consistia em selecionar mulheres alemãs, que dormiriam com soldados da SS e dariam à luz aos primeiros bebês dessa raça. Max então nasce e assim é chamado por sua mãe, porém é rebatizado pelos nazistas como Konrad von Kebnersol. Ele então cresce em um ambiente sem mãe, amor e carinho, mas em meio ao ódio e horrores da guerra. Ele foi criado para seguir os preceitos educacionais nazistas, e desde pequeno realizaria missões como ajudar no rapto de crianças polonesas e induzi-las a seguir as regras impostas pelos nazistas. 

A menina que roubava livros é narrado pela Morte, que se concentra em Liesel para contar sua história. Era 1939, e Liesel tinha apenas nove anos. Seu irmão estava sendo enterrado em um dia frio. A Morte a observava e podia ouvir seu coração bater e o misto de emoções que sentia junto a mãe. Mas foi neste cenário de dor o seu primeiro furto. Um dos coveiros deixa cair na neve, sem que ninguém notasse, o primeiro livro que Liesel roubará, O manual do coveiro. Chegando em Molching, foi levada a Rua Himmel onde seria recebida pelos seus pais de adoção, os Hubermann. Os meses passam em seu novo lar, e Hans Hubermann que a certa altura já descobriu O manual do Coveiro, começa a alfabetizar Liesel, mesmo com as reclamações de Rosa. Eles passam horas no porão lendo, o que se tornam dias de glória para a menina.


Imigração, Cultura, e o maior desastre industrial da história

Mahamed, o latoeiro conta a história do personagem fictício Mohamed, que nasceu na Síria e foi criado pelo seu pai Ibrahim, e pela proteção da irmã mais velha Yemna. Órfão de mãe, que morreu no parto ao tentar dar a luz ao terceiro filho do casal, Mohamed é criado conforme os costumes muçulmanos. A vida na aldeira Ain el-Jesh não é fácil, ainda mais em tempos de conflitos no país, e Mohamed, assim como seus amigos sonham em viajar para a América, a fim de fazer fortuna por lá, como outros rapazes que ouviram falar. Sua vontade só aumenta quando seu amigo leal Kamel parte para o Brasil. Essa obra é marcada pela imigração de tantos estrangeiros para o Brasil e como essa mescla de culturas conta a história atual de nosso país. 

Memórias de uma gueixa é pura cultura japonesa! A já idosa Nitta Sayuri nos conta a história de sua vida de gueixa. Neste livro entramos neste mundo, onde o que mais conta são as aparências, onde-se pode leiloar a virgindade de uma criança, onde as mulheres são treinadas para enfeitiçar os homens mais poderosos, e onde o amor é desprezado como uma ilusão. Sayuri vivia numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde com nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Ao desenrolar da história vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê para os homens; armas e mais armas para as batalhas pela atenção e o dinheiro deles. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reiventar em outros termos, em outras paisagens.

Meia-noite em Bhopal é um livro forte e aterrorizante! A leitura do livro já iniciou com uma narrativa rica em detalhes. Os anos que antecederam o desastre que ocorreu na unidade Union Carbide na Índia, nos é revelado com clareza logo nas primeiras páginas e todos os eventos até a instalação da ''bonita fábrica'' em Bhopal. Inúmeras pragas assolam as vastas plantações no solo da Índia, e a fábrica, com seus inúmeros interesses em jogo, ganha prestígio com a criação do pesticida Sevin. É impressionante a sucessão de erros que acontecem, e como uma fábrica reconhecia mundialmente por sua segurança, culmina ao abandono. Engenheiros empenhados que alertaram sobre a segurança precária que a fábrica vinha apresentando, a morte de um funcionário, pequenos vazamentos de gases, um jornalista que alertou sobre a catástrofe apocalíptica que estava por vir, o abandono da fábrica, a desativação de setores de segurança, e o mais importante, uma administração inexperiente, são os principais pontos que nos levam a entender tamanho desastre. Uma nuvem de gás tóxico escapa da fábrica, meia-noite e cinco em 3 de dezembro de 1984. O resultado é milhares de mortos envenenados pela nuvem tóxica. No início se contaram três mil mortos e duzentos mil feridos, mas entre os que padeceram posteriormente devido a tragédia, este número pode chegar a trinta mil mortos.




Quais vocês já leram?
Comentem, adoraria ver quais são as dicas de vocês!



3 comentários:

  1. conheço os de guerra, pois é um tema que me atrai, mas o que ainda quero ler é memórias de uma gueixa, pois é um transporte à cultura oriental
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Todos os títulos citados são maravilhosos e alguns estão na minha lista de compras. Amo d+ histórias que são ambientadas no Japão, Índia e nos pais Árabes.

    sonhoseaventurasdeamor.blogspot.com.br

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  3. Olá, Letícia.
    Eu gosto muito de história, então simplesmente amei essa sua postagem. Útil demais. Faça mais delas. <3
    O Livro dos Negros, eu já li e amei.
    A Menina que Roubava Livros e os livros do Khaled também são sensacionais. Gosto demais das obras.
    Max é um livro que preciso muito conferir.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de setembro. Serão três vencedores, cada um ganhando dois livros.

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