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13 junho 2016

Resenha - Os afogados e os sobreviventes

Título: Os afogados e os sobreviventes
Autor: Primo Levi
Editora: Paz & Terra
Páginas: 168
Gênero: Memórias/História
Ano de publicação original: 1986
Ano de publicação (relançamento) pela Paz & Terra: 2016
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Primo Levi retoma sua reflexão sobre o campo de extermínio nazista 40 anos depois de ter escrito o primeiro livro sobre o Holocausto. O Holocausto, as deportações, os trens, as câmaras de gás e seis milhões de judeus realmente existiram. Faz pouco mais de meio século. Não é possível que isso se repita, nem mesmo sob diferentes roupagens, interesses e alvos. Este é o ponto principal do que este livro tem a dizer. Os afogados e os sobreviventes traz a reflexão de Primo Levi sobre o dia a dia de Auschwitz, a disciplina cega dos SS, os milhões que tiveram seu futuro negado pelo simples fato de nasceram judeus. O autor italiano revisita aqui sua primeira obra e, com maturidade crítica, busca respostas para perguntas que durante anos martelaram em entrevistas ou no senso comum: por que vocês não fugiram? Por que não se rebelaram? Um registro fundamental para que as novas gerações conheçam e entendam o que foi o holocausto, e com isso nunca permitirem que história se repita.




Os afogados e os sobreviventes, uma obra relançada pela Paz & Terra (Grupo Editoral Record), é narrada por Primo Levi, um judeu italiano que foi um dos pouquíssimos sobreviventes do campo de concentração nazista Auschwitz. Essa não é a primeira obra em que o autor relata sua história, mas aqui ele traz uma reflexão sobre as reações distintas entre os prisioneiros, e ainda questiona sobre o motivo porque muitos deles não se rebelaram ou aceitaram funções em que os colocariam contra sua própria etnia. 

Primo Levi foi um dos poucos, que após sobreviver, não teve medo de contar tudo que passou e revelar como era o dia a dia em Auschwitz, enquanto muitos se calaram para sempre. Dividida em capítulos, essa obra traz em cada um deles, uma reflexão acerca das memórias do autor. Um dos capítulos mais fortes é "A vergonha", em que Levi revela a reação de muitos e dele próprio diante da libertação dos prisioneiros. Quem poderia imaginar que a alegria em estar livre da opressão dos soldados da SS não era o sentimento mais constante entre os prisioneiros, mas sim a vergonha por sua condição? Esse é um dos capítulos que merece mais destaque e que me envolveu completamente.


A narrativa é densa, não nego, mas facilmente se percebe a intensidade com que Levi escreveu essa obra. As páginas são recheadas de melancolia e algumas passagens soam tão pessimistas que pode deixar o astral do leitor totalmente para baixo. Mas como poderia ser diferente? Estamos falando da Alemanha nazista e de um homem que foi preso, humilhado, subjugado apenas porque nasceu judeu. Diante disso, não passará despercebido o quanto, mesmo após 40 anos do fim da guerra, a vida e a mente de Levi ainda estava marcada pela experiência do Holocausto. 

"Creio que é exatamente a esse recuo para observar a 'água perigosa' que se devem os muitos casos de suicídio após (às vezes, logo após) a libertação. (...) Inversamente, todos os historiadores dos Lager (campo de concentração), inclusive dos soviéticos, são concordes em observar que os casos de suicídio durante o cativeiro eram raros." (p. 59)

Quanto a parte física, a obra traz uma capa que faz jus ao enredo, folhas amareladas com uma ótima fonte e espaçamento. A revisão também está impecável.

O Holocausto é um pedaço da história da humanidade que já rendeu muitos livros na literatura, mas Os afogados e os sobreviventes não é só apenas mais uma obra comovente sobre o assunto, é um relato real e forte de quem sentiu na pele, literalmente, a mão nazista. Esse livro me fez pensar muito em como nem todos os sobreviventes desejaram a libertação, e sim a morte, e mesmo para aqueles que desejaram, que vida os esperava depois de passar por Auschwitz? 

Como não poderia ser diferente, recomendo esse livro para quem tem grande interesse pelo assunto e gosta de obras exatamente assim, fortes, por mais que doa, e reais, que não ocultam a verdade.  


"Quem foi torturado permanece torturado. (...) Quem sofreu o tormento não poderá mais ambientar-se no mundo, a miséria do aniquilamento jamais se extingue. A confiança na humanidade, já abalada pelo primeiro tapa no rosto, demolida posteriormente pela tortura, não se readquire mais." Jean Améry 

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21 comentários:

  1. Gosto de livros que tratam um pouco sobre a história. Acredito que isso deixa a obra mais rica.
    Adorei saber sobre o Holocausto e vou procurar a leitura.
    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  2. Olá
    Eu gosto muito de ler relatos da segunda guerra, é um período que eu adoro estudar, e tenha uma época que lia muito sobre esse período, mas coisa mais técnica mesmo, e ultimamente voltei a ler relatos biográfico, não conhecia o Levi, mas já me interessei em ler seus relatos.
    Beijos

    www.poyozodance.blogspot.com.br

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  3. Eu sou fascinada por livros que relatem a guerra (fictícios ou não), não pela guerra (não sou louca para tal coisa) mas pelos relatos e absurdos que descobrimos com cada nova obra. Acho que sejam leituras sempre muito tensas e ver os horrores e saber que teve gente que conseguiu vencer tudo isso é algo muito interessante. Eu não conhecia essa obra mas já entrou para a minha lista de desejados.

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  4. Gosto muito de livros desse periodo historico e nao conhecia essa obra. E realmente triste tudo o que aconteceu e posso imaginar como deve ser ler relatos tao tristes de alguem que sofreu tanto nesse periodo. A dica esta pra la de anotada, pois tenho certeza que irei me emocionar demais com os relatos de Primo Levi.

    Raissa Nantes

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  5. Oi, não conhecia a obra, apesar de ser um gênero que quase não leio, ele parece ser ótimo. Vou pesquisar mais sobre a obra, mas tenho quase certeza que vou adorar a leitura.

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  6. Olá!
    Gosto dr livros do gênero,. principalmente sobre a Segunda Guerra Mundial, mas uma leitura dessas pode ser bem pesada emocionalmente e creio que o leitor deve estar preparado para a carga emocional que vai receber, o que não é o meu caso atualmente. Ainda é o tipo de obra que todos devem ler ao menos uma vez na vida.
    Beijos!

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  7. Oi!
    Realmente é uma época que rendeu e ainda rendem vários livros e filmes. As vezes eu me deparo com algo real e fico de queixo caído. Parece ser uma leitura bem interessante, apesar de eu preferir não me envolver com a temática por motivos de: muito sofrimento...
    Adorei a resenha! Abraço

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  8. Oiii Leticia, tudo bem?
    Esse livro parece ser realmente incrível, eu gosto deste tema Holocausto e situações que tragam sobre guerras e relatos verdadeiros, gostei mito da sua resenha e leria com toda certeza essa obra.
    Beijinhos

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  9. Oie!
    Adorei sua resenha. Eu adoro filmes que falam sobre o Holocausto, porém ainda não tive oportunidade de ler um livro. Este parece ser muito interessante, mesmo com sua escrita densa, como você comentou. Acredito que deve ser, logicamente, muito tocante e forte. Fiquei curiosa.
    Abraços
    www.viciadosemleitura.blog.br

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  10. adorei a resenha, mas sabe que eu acho esse tema super pesado??? admiro que, como vc, lê esse tipo de livro, eu não consigo, apesar de gostar da história, mas como tu comentou, é densa né...

    fico realmente curiosa, mas não conseguiria ler!!!

    bjs

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  11. Oie,

    Apesar de gostar de livros pesados eu nunca li um livro desse tipo que não seja não ficção, acho que não vou gostar de ler relatos sobre o Holocausto, mas gostei da sua resenha e que bom que você gostou do livro, mas não sei se terei coragem de ler essa obra.
    Beijos

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  12. Olá!

    Relatos autobiográficos é comigo mesmo! Eu li e me emocionei com A Lista de Schindler, com certeza se eu ler esse, vou me emocionar também. Um livro forte e real, que pode até servir de lição para que as futuras gerações não façam o que o nazismo fez.

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  13. Oi,
    Eu gosto muito de histórias que relatam sobre guerra, mostrando o que aconteceu. Mesmo que seja algo fictício, eu gosto.
    Deve ser uma história forte e eu com certeza, ia amar!
    Beijos e obrigada pela dica

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  14. Oioi! Tudo bem?
    Não conhecia o livro Os afogados e os sobreviventes e foi otimo ler a sua resenha, pois acho que o tipo de historia é dessas que eu gosto.
    Holocausto e a Segunda Guerra sao temas que sempre me chocam por terem sidos reais.
    Adorei o modo que falou do livro e vou tentar ler sim, valeu pela dica.
    Beijos

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

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  15. Que livro maravilhoso. Gosto muito desse tipo de relato histórico, ainda mais se o livro for escrito por um sobrevivente da guerra. Claro que falar sobre o Holocausto é sempre algo pesado, mas acredito que é muito importante que se fale sobre isso para evitar que coisas parecidas aconteçam futuramente. Já está na minha lista.

    Tatiana

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  16. Sabe que não é meu tipo de livro. As vezes até me interesso por um ou outro, mas sempre vou pulando a vez na fila de leituras.
    Esse me pareceu interessante. Mais ainda por você comentar que mesmo com tantos livros sobre o assunto, esse consegue ser um relato emocional e com isso, se torna interessante para o leitor.
    Beijinhos,
    Lica

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  17. Ola Leticia lindona acredita que o tema seja triste por tudo o que aconteceu nessa época, no momento estou evitando leituras mais densas. Dessa vez vou deixar a dica passar, mas fico contente que te agradou. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  18. Oi Letícia...
    Muito linda a sua resenha, sabia?
    Eu não conhecia o livro, mas para falar a verdade, ele não é meu tipo em nada. Digo isso porque eu tenho um bloqueio quando envolve questões dos judeus e o holocausto. Simplesmente não consigo.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  19. Olá,
    Eu não conhecia o livro e sinceramente acho que não leria pelo fato de que se trata de um tema muito forte. Sou coração fraco para esse tipo de coisa e sempre evito ler.
    Um beijo,
    Delírios Literários da Snow

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  20. Oi linda,

    Eu curto demais livros que trazem o Nazismo e o Holocausto como foco principal em alguns livros, porque nos apresenta diversos pontos de vistas distintos e nos emociona com desabafos de sobreviventes que muitas vezes são a fonte dessas informações.

    Beijos!

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  21. Olá Letícia!!!
    Eu acho incrível essas histórias escritas sobre o holocausto, pois nossa são fortes e você se faz inúmeras perguntas que muitas vezes não tem resposta.
    Esse livro é muito perfeito pelo que vejo e espero que realmente as pessoas que irão lê-lo possam refleti sobre essa crueldade.

    lereliterario.blogspot.com

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